Agência Brasil

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Publicado em 09/10/2019 às 17:37:00

Ado??o de criptografia em mensagens do Facebook gera pol?micas

O Facebook discute a ado??o da criptografia em seus servi?os de mensagem ap?s seu diretor-executivo, Mark Zuckerberg, divulgar neste ano que a empresa passaria a se preocupar mais com a privacidade dos usu?rios diante de diversos esc?ndalos envolvendo a companhia. Entretanto, o plano provoca uma batalha entre, de um lado, ag?ncias governamentais relacionadas ? seguran?a p?blica e de Estado e, de outro, organiza??es da sociedade civil com atua??o na ?rea de defesa dos direitos dos usu?rios.

A criptografia ? uma tecnologia que protege o conte?do de uma comunica??o realizada pela Internet. Hoje este tipo de recurso ? adotado nas mensagens do Whatsapp, aplicativo controlado pelo Facebook. Entretanto, o intuito manifestado pelo diretor-executivo da empresa ? que ele seja estendido para todos os servi?os de mensagem do grupo, como o FB Messenger.

Diante dessa possibilidade, ?rg?os p?blicos dos governos dos Estados Unidos, da Austr?lia e do Reino Unidos enviaram uma carta a Zuckerberg?criticando o prop?sito e defendendo que qualquer medida assegure o que chamaram de ?seguran?a e acesso legal ao conte?do das comunica??es para proteger nossos cidad?os?.

?Melhorias na seguran?a no mundo virtual n?o deveriam tornar-nos mais vulner?veis no mundo f?sico. Devemos descobrir como equilibrar a necessidade de dar seguran?a aos dados com a seguran?a p?blica e a aplica??o da lei no acesso ? informa??o necess?ria para salvaguardar o p?blico, investiga??o de crimes e prevenir futuros epis?dios criminosos?, assinalaram os autores do documento.

Segundo as ag?ncias governamentais, empresas n?o poderiam desenvolver sistemas que dificultem o acesso a comunica??es virtuais. Tais mecanismos dificultam, na avalia??o das institui??es, a investiga??o e o combate ? atividade criminosa na Internet.

Defesa da criptografia

Uma outra carta endere?ada a Mark Zukerberg, assinada por mais de 50 organiza??es e redes de defesa de direitos digitais, contrap?s a iniciativa dos governos e argumentou pela promo??o da criptografia ponta-a-ponta nos servi?os do Facebook.

Segundo as entidades, o pleito das ag?ncias governamentais ? equivocado e n?o ataca o problema da seguran?a. ?Cada dia em que plataformas que n?o apoiam fortemente a seguran?a ponta-a-ponta ? uma oportunidade para que esses dados sejam vazados, tratados de forma errada ou obtido por entes poderosos para explor?-los?.

Considerando o alcance global dos servi?os de mensagem do Facebook (que chegam a quase dois bilh?es de pessoas em todo o mundo), continua o texto, a seguran?a nas trocas de mensagens entre usu?rios vai viabilizar uma melhoria da liberdade nas comunica??es mundiais, da seguran?a e dos valores democr?ticos.

?Reivindicamos que voc? proceda com seus planos de criptografia e resista ?s posi??es de criar brechas (backdoords) ou formas de acesso excepcional para as mensagens dos usu?rios, que v?o enfraquecer a criptografia, a privacidade e a seguran?a de todos os usu?rios?, destacam as organiza??es signat?rias.

Falsas pol?micas

Especialistas brasileiros se manifestaram a favor da criptografia e contr?rios a sua quebra no mais importante evento sobre privacidade do pa?s, organizado pelo Comit? Gestor da Internet no Brasil, realizado em S?o Paulo h? duas semanas. Cristine Hoepers, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informa??o, foi uma das vozes neste sentido. ?Temos que pensar o papel da criptografia para garantir seguran?a na sociedade digital. Tudo que pode dar errado se come?armos a mexer na maneira como ela funciona?.

F?bio Maia, do centro de tecnologia Cesar.org, do Recife, afirmou que o tema ? complexo, mas que h? quase um ?consenso? contra a introdu??o de backdoors na comunidade cient?fica. ?N?s sabemos que trata-se de problema complexo e multifatorial, quando tem n?o existe solu??o perfeita. Voc? perde muito mais introduzindo essas vulnerabilidades, inclusive para seguran?a p?blica, do que encontrando alternativas de investiga??o diferentes da intercepta??o?, ponderou.

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