Agência Brasil

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Publicado em 09/10/2019 às 20:06:00

Regulamenta??o de apostas esportivas amplia preocupa??o com resultados

A lei 13.756/2018, que autoriza apostas esportivas no Brasil, est? em fase de regulamenta??o no Congresso Nacional. A minuta do decreto esteve liberada para consulta p?blica at? o fim?de setembro?e recebeu mais de 2.600 contribui??es. A expectativa ? que o mercado, legalizado, possa movimentar at? R$ 4 bilh?es no pa?s, segundo relat?rio da empresa?Gambling Compliance.

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Enquanto o modelo que nortear? as apostas ? desenvolvido, entidades ligadas ao esporte, como clubes, ligas e federa??es, discutem meios de enfrentar um dos desafios desse universo: as tentativas de manipula??o de resultados. A Liga Nacional de Basquete (LNB), por exemplo, ampliou a parceria com a Genius Sports, empresa brit?nica que desenvolver? um sistema para preserva??o da integridade de apostas ligadas ao Novo Basquete Brasil (NBB). O contrato?ter? validade de cinco anos.

"Eles trazem a experi?ncia de atuarem em grandes ligas, como a NBA e a Premier League (Campeonato Ingl?s de futebol). Para n?s, ser? ?timo buscar esse caminho. D? seriedade e compet?ncia para a liga ser reconhecida como id?nea no meio esportivo", diz o presidente da LNB, Kouros Monadjemi.

"Vamos proporcionar an?lises das mais prov?veis situa??es de jogo. Quando h? diferen?as entre o previsto e o que est? acontecendo, nove em dez casos t?m explica??o. ? algum jogador que estava fora, algu?m doente, clima... Mas, se h? um incidente em potencial que n?o est? previsto, e que parece particularmente question?vel, vamos prestar aten??o e reportar diretamente ? liga", explica o diretor de comunica??o da Genius, Chris Doughan.

Futebol na mira

A maior preocupa??o no mercado brasileiro ? o futebol. Uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta que entre 70% e 85% do investido em apostas esportivas ? na modalidade.

Um dos casos analisados pela pesquisa ? a Opera??o Game Over, desencadeada em 2016 e que prendeu sete pessoas em quatro estados, acusadas de manipular resultados nas divis?es de acesso (A2 e A3) do Campeonato Paulista de futebol e nos torneios estaduais de Rio Grande do Norte, Maranh?o e Cear?. A investiga??o, ? ocasi?o, identificou apostadores asi?ticos como l?deres da quadrilha.

"Eles n?o t?m nem a necessidade de vir ao Brasil. Acabam enviando emiss?rios que, geralmente, s?o pessoas com boa circula??o no meio esportivo. Ex-atletas, ex-t?cnicos, amigos de jogadores. S?o pessoas que dar?o credibilidade ? oferta dos apostadores", detalha Felippe Marchetti, respons?vel pelo estudo, primeiro do g?nero na Am?rica do Sul.

Potenciais alvos

Um dos casos mais famosos de manipula??o de resultados foi em 2005. No esc?ndalo da M?fia do Apito, 11 jogos da S?rie A do Campeonato Brasileiro, apitados por Ed?lson Pereira de Carvalho, acabaram anulados pelo Superior Tribunal de Justi?a Desportiva (STJD) e posteriormente remarcados. O ?rbitro foi acusado de?ter?influenciado essas partidas para beneficiar apostadores.

J? os exemplos mais recentes envolvem torneios de divis?es inferiores, como as S?ries A2 e A3 do Campeonato Paulista ou S?rie B do Carioca. Em comum, clubes de pouca express?o e visibilidade e um calend?rio restrito a alguns meses ? que, segundo a tese da UFRGS, representam 52% dos times. O estudo cita, ainda, levantamento da Confedera??o?Brasileira de Futebol (CBF), de 2016, indicando?que 82,4% dos jogadores profissionais do?pa?s?recebem at? R$ 1 mil por m?s.

"A gente identificou, na Game Over, que para um jogo ser manipulado, eles [apostadores] pagavam cerca de US$ 20 mil. S?o valores muito elevados que, muitas vezes, s?o a folha salarial de um clube pequeno para uma temporada inteira", destaca Marchetti, que identifica dois tipos de alvos dos apostadores.

"O primeiro grupo ? o de atletas experientes. Eles est?o mais pr?ximos do fim de carreira, ent?o uma prov?vel puni??o ? como o banimento do esporte ? acaba n?o sendo t?o pesada. E h? um segundo grupo, que ? daqueles com algum tipo de problema com jogo, v?cio, bebida... N?o s? jogadores, mas tamb?m dirigentes ou ?rbitros. Esse tipo de pessoa est? muito mais vulner?vel tanto financeira como psicologicamente", conclui.

Combate ao mercado ilegal

Para Chris Doughan, da Genius, a normatiza??o das apostas no Brasil ? parte do combate ao mercado ilegal ? que, segundo ele, representa pelo menos 75% da ind?stria. Ler notícia


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